Viajar leve: na mala e na vida. A viagem e o aprendizado sobre o minimalismo

Este mês de novembro minha caixa de e-mail esteve mais lotada do que nunca com dezenas de alertas sobre a Black Friday e suas promoções “imperdíveis”. Foi um ótimo período para relembrar do conceito que aprendemos e praticamos durante as viagens – o minimalismo.

Mesmo que ele seja praticado muitas vezes por necessidade e pela falta de espaço na mala, vivenciamos o minimalismo diariamente, desde o desafiante momento de selecionar o que vamos levar conosco até na hora de comprar lembrancinhas para pessoas queridas.

Na mala vai somente aquilo que será essencial em nossa viagem. Se não tem utilidade não tem espaço. Além disso, geralmente levamos somente as roupas e itens que mais gostamos. Essa é a filosofia também daqueles que optam pelo estilo de vida minimalista. Eles tem poucas coisas mas gostam e vêm utilidade para tudo que tem.

O minimalista gasta seu dinheiro somente com aquilo que lhe agrega muito valor. Assim como os viajantes, precisam ter maior clareza na hora de colocar a mão no bolso e saber a diferença do que é desejo e o que é necessidade, evitando gastos com coisas e priorizando experiências.

Você sabe quantos pares de calçados você tem? 15, 25 ou 40 não importa, pois na mala geralmente só vão dois, três se considerarmos a indispensável havaianas. Quando estamos em uma viagem fora dos padrões convencionais turísticos, passamos semanas ou meses nos preocupando menos com o que vamos vestir e mais imersos em nossa aventura.

A roupa pode até ser a mesma em várias fotos, mas os cenários são sempre diferentes! Os viajantes também são muito diferentes em cada lugar que passam, pois vão se transformando pelo caminho.

Os viajantes vão perdendo a necessidade de ter coisas para sentirem-se felizes e bem. Sabe por que? É porque aprendem na marra a valorizar o simples. Aprendem o valor daquelas coisas que não tem preço: o abraço de alguém querido, a conversa no bar com um amigo, o pingado da padaria da esquina que nunca mais pode tomar, o banho e a cama quente num dia de muito frio em um país de inverno rigoroso.

Passam a dar muito mais valor as experiências de vida do que para as coisas que tem. É partindo em viagem que se dão a chance de perceber o que lhes é importante.

E pode acreditar, você não vai morrer de saudades de coisas! Sentimos falta de pessoas e experiências.

E quando isso não acontece? E quando continuamos apegados com coisas ou preocupados demais com nossa aparência?

Eu tive muita dificuldade em desapegar. Foi depois de uns 3 ou 4 meses de viagem conheci uma francesa que me ajudou na árdua tarefa. Ela surpresa com tanta coisa que eu tinha e eu também surpresa, pelo quão leve ela conseguia viajar.

Estávamos hospedadas no mesmo quarto por vários dias, fazendo trabalho em troca de acomodação e alimentação e antes de seguir viagem, foi ela quem me ajudou a refazer minha mala e deixei para trás alguns bons quilos de roupas e coisas inúteis, que estava carregando com o sentimento de “vai que eu preciso”.

A viagem é uma ótima oportunidade para refletirmos sobre nossos padrões e valores. Porque essas coisas são tão importantes para mim, o que elas representam? Talvez assim seja mais fácil para descobrir porque temos tanta dificuldade de desapegar.

E falando um mais do minimalismo, ele vai muito além do guarda-roupas. O minimalismo se trata de um estilo de vida onde se preza pelo consumo consciente. É sobre tratar aquilo que se compra como um bem durável além da próxima moda ou estação.

Mas e qual o objetivo, o propósito de tudo isso?

Para muitos, ser minimalista significa ter mais liberdade. Com a redução das compras constantes, reduz também o custo de vida, e com ele, a necessidade de se trabalhar loucamente para se manter um padrão de vida alto.

Estar na moda custa caro! É um celular mais moderno, diversas bolsas para combinar, sapatos para diferentes ocasiões ou a coleção de óculos. O consumismo faz muitas pessoas ficarem presas em círculo vicioso de trabalho – consumo – mais trabalho – mais consumo.

Muitos, quando se sentem simplesmente cansados e querem desacelerar o ritmo intenso de trabalho se veem em uma encruzilhada pois não podem manter o padrão de consumo se não se mantiverem em seus infelizes empregos.

Minimalismo trata também sobre se levar uma vida mais descomplicada. Nada de ter um guarda-roupas lotado com tantas opções e não saber o que vestir. Imagine ter um guarda-roupas compacto mas tudo que tem dentro dele são aquelas roupas que você adora! A vida se torna mais simples com menor número de escolhas.

É também uma grande oportunidade de notarmos como fazemos muitas coisas pelo simples hábito. Eu desapeguei, por exemplo, do que eu considero hoje, escravidão da beleza. Viajando e conhecendo outras formas de se relacionar e entender a beleza, me dei conta o quanto nós brasileiras somos vaidosas!

Tive vontade de ser mais natural e deixei de pintar o cabelo, fazer as unhas toda semana, usar salto alto no dia a dia ou andar maquiada. Faço isso com uma frequência imensamente menor e com isso economizo muito do meu tempo, menos química no meu corpo, a unha do pé nunca mais encravou devido ao uso de sapatos nada amigáveis e ainda tenho mais dinheiro para outras prioridades em minha vida. São detalhes sutis, mas que vão tornando nossa vida atarefada e cara.

Minimalismo é um processo, as vezes de alongo aprendizado, reflexões e decisões. Eliminar o supérfluo para focar no essencial. Para fazer isso precisamos nos questionar. Questionar o quanto somos induzidos pela habilidosa indústria do marketing que buscam a todo custo nos fazer acreditar que precisamos de mais, que nos sentiremos felizes com mais.

Mesmo que o minimalismo seja um conceito aprendido por necessidade durante uma viagem, viajar leve é também uma ótima metáfora para a vida. Podemos tranquilamente transferir esse significado para o viajar leve pela jornada da vida. Quanto menor forem nossas necessidades de consumo, e nossas expectativas, mais leve seguimos. Mais fluída e tranquila é a vida.

Quer saber mais? Algumas referências para você aprender e refletir sobre o minimalismo:

Livro Best Seller: Menos é mais: um guia minimalista para organizar e simplificar sua vida, da americana Francine Jay.

Documentário Netflix: Minimalismo: um documentário sobre as coisas que importam, de Joshua Millburn e Ryan Nicodemus.

Blogs bacanas:

http://mnmlist.com/     do americano Leo Babauta.

http://minimalizo.blogspot.com/ da brasileira Fernanda Marinho

No Youtube, há uma grande quantidade de canais dedicados ao tema. Um dos mais famosos é o Enrique sem H, criado em 2013 pelo designer Enrique Coimbra, e que hoje conta com 165 mil inscritos. Há três meses, ele decidiu levar uma vida nômade e compartilhar com seu público a experiência de carregar a casa na sua mochila cargueira, com capacidade para 80 litros.

Artigos:

Estudo comprova que ter menos coisas nos faz mais felizes

Algumas empresas com soluções bacanas para os minimalistas. 

 

E você, já pratica algum conceito minimalista? Gostaria de iniciar? Compartilhe sua experiência e opinião!

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