Com R$ 4 mil + passagem elas começaram a viajar pelo mundo

Aline e Renata, possuem um perfil super aventureiro. Elas estão viajando há 10 meses pelo mundo e afirmam que enquanto estiverem felizes e for possível continuar a viagem, elas se manterão na estrada, sem pressa de retornar ao Brasil. Detalhe: elas viajam praticamente sem dinheiro!

Conheça melhor a história das fundadoras do projeto Mundo sem Muros, que trabalham por onde passam para poder conhecer mais do mundo, e mesmo a questão financeira sendo motivo de dificuldades durante a viagem, elas dizem: “O mundo é a melhor e maior escola da vida!”.

Como tudo começou

A Renata já estava decidida a viajar quando conheceu sua namorada e parceira de viagem, Aline, em 2016. Em fevereiro de 2017 elas fizeram uma viagem para Chapada dos Veadeiros e curtiram tanto que notaram que hora de partir juntas para a grande aventura.

Entre a compra da passagem e a data de partida foram três meses. Elas dizem: “Não teve muito planejamento na verdade. Foi mais o roteiro de Madrid (ficamos em airbnb 1 semana só para a cidade) e nosso primeiro trabalho através do workaway em Portugal. De lá pra cá todo nosso planejamento vem sendo na estrada, conforme o destino vai nos levando. Nunca sabemos onde vamos parar”, contam elas.

Sobre a reação da família, Renata diz: “Meus pais, já sabiam antes mesmo de conhecer a Aline de que ia ir embora. Quando voltei da Austrália, já tinha a ideia, e sempre comentava. Eles achavam loucura, principalmente porque iria sozinha e sem um “propósito”, segundo eles. Mas depois que conheci a Aline e que ela deu a certeza que iria junto, eles se acalmaram um pouco hahaha.

A Aline vivia só com a mãe no Brasil (pais separados) e ela também ficou um pouco assustada de início, principalmente porque ela ficaria sozinha, mas depois também apoiou. Ambas famílias apoiam e falam para sempre seguirmos nossos sonhos e intuição.

Orçamento 

Turistar é muito caro. Mas, nossa trip é muito baixo custo. Nossos gastos são muito baixos. Em 6 meses fizemos levantamento de custos e foi cerca de 900 euros cada, em 6 meses! Nisso incluimos tudo, com exceção da passagem de ida (R$ 1.200 cada) e gastos muito particulares que foram caros, por exemplo: tripé, gopro, mala. Gastos que as pessoas provavelmente não teriam, sabe?!

A gente fez em quase todos os países workaway. Isso fez a gente economizar em acomodação e alimentação. Na estrada tivemos ajuda de muita gente também, por exemplo, a Vilma, uma brasileira que nos acolheu durante um mês em Eilat (Israel). Não conhecíamos pessoalmente, e falamos só algumas vezes antes de chegar em Israel, conseguimos o contato através de uma amiga da mãe da Aline. Foi maravilhoso! Ela nos ajudou demais. Em Israel nesse tempo, vendemos latinha e garrafas o que gerou uma graninha, e depois no nosso workaway em Netivot (ainda Israel) ele nos pagou um pouquinho por semana (o que no fim dos 2 meses ajudou MUITO!).

Além disso, recebemos apoio de pessoas que gostam do nosso projeto através do Padrim e Vakinha (link no final do texto). Também, já pedimos dinheiro na rua, já fizemos algumas faxinas e ainda recebemos ajuda de amigos de amigos, que nos mandaram dinheiro (por exemplo essa amiga da mãe da Aline – a Marta – que hoje é uma grande amiga que acompanha a risca nossa trip).

Também já fizemos Couchsurfing! Por fim, também economizamos várias vezes com transporte pegando carona! Saímos do Brasil com cerca de 4 mil reais cada. Desse dinheiro já foi tudo nesses 9 meses de viagem, mas como estamos sempre ganhando um pouquinho aqui, um pouquinho lá, estamos nos virando.

O maior desafio da viagem tem sido o baixo orçamento para viagem: “É sempre muito perrengue. Sempre temos que fugir do turístico e ir para o local para não pagar tão caro, e isso custa energia física e psicológica. Cansa muito.”

Maior erro da Viagem

Sem dúvidas ao dizem o que se arrependem, elas afirmam enfaticamente: “As malas!!! Saímos do Brasil com 1 mala de 20kg cada + mochila. LOUCURA! Mesmo, eu Renata, já tendo experiência com mochilão (passei 2 meses viajando pela Ásia), fiz essa burrice.

Como não sabíamos onde iriamos parar (na neve ou na praia) tivemos que trazer roupas e calçados para as 4 estações. Em resumo, logo de cara no inicio da viagem vimos que seria impossível seguir viagem com tanta coisa.

Deixamos uma mala cheia na Alemanha (na casa do workaway que fizemos lá). Seguimos assim com 1 mala de 20kg + mochilas. No caminho, essa mala de 20kg estava acabada, nem andava mais direito hahaha. Agora estamos cada com 1 malinha de 10kg + 1 mochila cada e a ideia é ainda diminuir mais isso”.

Segurança na Viagem

Como a gente sempre fala: o perigoso é deixar que o medo roube os seus sonhos.

A gente nunca sentiu muito medo de fato. Sempre acreditamos muito na nossa intuição e no que o universo nos enviaria. É claro que tem situações desconfortáveis, principalmente no oriente médio.

Mas, jamais deixaríamos de viajar por causa disso. Queremos sim incentivar mais mulheres a viajarem. Vimos muitas viajando pelo mundão e queremos que isso aumente cada vez mais para acabar com essa ideia de que mulher não pode ou é muito perigoso viajar sozinha.

Precaução é necessário, mas deixar de conhecer o mundo por causa disso: jamais!

Melhor e pior memória de viagem

Melhor experiência, é complicado. Todos os países onde passamos deixou algo muito especial e marcante. Mas se fosse para escolher apenas uma acho que seria nosso acampamento no deserto do Sahara. Ficamos 5 dias acampando no meio do “nada”.

Em uma dessas noites, em noite de lua cheia que iluminava tudo, nos afastamos do acampamento onde já estavam quase todos dormindo e fomos caminhar.

Subimos em uma montanha. Lá do alto, não se via nada, além da imensidão sem fim, Não tinha NENHUM barulho. Foi bizarro! Pela primeira vez experienciamos isso. Nossos corações se encheiram de gratidão e choramos de felicidade.

Foto by Aline Fortuna

Tiveram vários outros momentos muito marcantes. Outro foi o mergulho, porque ambas somos muito medrosas para mar e encaramos esse desafio, que era nosso maior medo.

Perrengue é toda hora. Acho que o mais longo perrengue foi em um trem local no Egito. Estávamos indo de Cairo para Aswan. Para pegar trem no Egito os turistas tem uma passagem diferenciada, que é MUITOOOOO mais caro, e não é permitido pegar junto com locais. Mas a gente sempre dá um jeitinho.

Estávamos com um amigo lá em Cairo (que conhecemos ainda no deserto – onde fizemos o workaway) e ele comprou as 2 passagens para gente, como se fosse para ele e mais um local (não fomos junto comprar, é claro).

Acontece que no meio do caminho a Aline perdeu a passagem dela! Quando estávamos na estação os policiais já começaram a fazer mil e uma perguntas para esse nosso amigo e ficamos tentando fugir. Por sorte o trem chegou logo. Nosso amigo colocou a nossa mala na cabeça e em meio a multidão, gritaria e correira (Egito é loucura!) entramos no trem salvas.

Mas, durante a viagem, que durou 13 horas, passaram 4 fiscalizações para verificar as passagens! E aí que começou a aventura mesmo. A primeira fiscalização a Aline fingiu que estava dormindo e o fiscal por sorte não pediu para ela. A segunda, vimos que o cara tava acordando todo mundo. Então corri para o banheiro. Fiquei lá trancada olhando por baixo da porta até ver o fiscal passando para o próximo vagão. DEU CERTO!

Na terceira fiz a mesma coisa do banheiro hahaha. E na última (por sorte foi a última!!) não deu tempo de fugir, a gente tinha dormido e acordamos no susto com o fiscal já no banco da frente – não tinha pra onde fugir. Eu pensei rápido e falei pra Aline: “só se faz de louca!” O cara pediu as passagens, dei uma, ele rabiscou e quando pediu a outra, começamos a “procurar” como se tivéssemos perdido a passagem dentro do trem.

Nos fizemos de loucas, falando em português, meio que xingava a Aline por ter perdido passagem, saímos dos assentos, tiramos as malas etc. Meu argumento: outros 3 fiscais já vieram aqui e mostramos a passagem, não sei onde pode ter caído – talvez na privada, porque estava no meu bolso. Depois de toda essa atuação, os caras foram para outro vagão e falaram para ficarmos procurando em quanto isso. Quando voltaram continuamos falando que perdemos. Eles falaram que teríamos que pagar uma outra ou descer do trem.

Começamos a meio que discutir/explicar, que tínhamos perdido dentro do trem de novo, mas eles não falavam inglês nada bem. Quando vimos já tinha um aglomerado de gente ao redor da gente por causa da situação ahhahaha. Uma mulher local que falava bem inglês começou a traduzir tudo que falávamos e os caras não estavam querendo aceitar.

Acho que aceitaram mais pelos outros locais que não sei porque quiseram nos ajudar! Por fim, chegamos em Aswan salvas e sem pagar extra. UFA!

Conselho para quem deseja viajar

Para não deixar de seguir os sonhos! Se sonham em viajar o mundo, não desistam! Sempre tem meios para isso. Tente pensar em como pode realizar e não nos porquês não pode. Se não fala inglês, começa pelo brasil ou Portugal, enquanto treina em alguma plataforma gratuita o inglês – duolingo, aulas online youtube…

Se não tem dinheiro, faça workaway, os gastos serão só com transporte. Se não tem para transporte, pegue carona. TUDO é possível e no momento que tu se abre para o mundo e para as experiências que esse pode te proporcionar, vai acontecer muitas coisas que vão mudar tua vida e tua perspectiva sobre o mundo e sobre a própria vida.

Tu acaba aprendendo não somente sobre outras pessoas, outras culturas, outras línguas, outros lugares, outras paisagens, outros costumes… tu aprende sobre tu mesma, e no momento que tu ultrapassa teus limites, teus medos e sai da tua zona de conforto, tu sente que tu é capaz de tudo!! Tudo é possível para quem enfrenta, se aventura e coloca a cara a tapa. O mundo é a melhor e maior escola da vida!

 

Aline tem 24 anos e é fotógrafa graduada, de Caxias do Sul. Largou emprego de 4 anos no Brasil para viajar.

Renata, 25 anos, é de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul. Graduada em Biomedicina, mas desde que foi morar na Austrália (ciência sem fronteiras) acabou se apaixonando por viagens e a paixão pela profissão de biomédica desapareceu.

Links para acompanhar a viagem: Mundo sem Muros   Youtube    Facebook

Apoie a viagem através do Vakinha ou Padrim

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5 Comentários

  1. Mundo Sem Muros disse:

    Muuuito obrigada pelo espaço, podendo contar um pouquinho dessa nossa tragetória e tentar inspirar mais pessoas que também tem essa vontade <3

  2. Mundo Sem Muros disse:

    Obrigada por compartilhar um pouco da nossa história e inspirar mais viajantes <3

  3. Anny disse:

    Gente. Que legal’ meu sócio viajar.. Mas como faz com passaporte e vistos’ estas coisas eu não entendo nada.. Me ajudem por favor..

  4. Valeria disse:

    Muito bom este contéudo e de muito grande valor. Adoro vijar pelo mundo e conhecer novas culturas.