Direto da Ásia, casal conta mais dos 15 meses de viagem pelo mundo!

Atualmente passando pelo Myanmar, o Lucas e a Jack estão em uma volta ao mundo desde fevereiro de 2018 e compartilham mais as motivações, desafios e recompensas dessa aventura!

Após dois anos de preparação e planejamento para a viagem de, pelo menos, 1 ano 3 meses, eles contam sobre o orçamento, os perrengues, a reação da família ao saber da notícia e deixam um recado para quem tem vontade de viajar pelo mundo!

Como a família e amigos reagiram com a notícia dessa aventura pelo mundo?

No começo eu acho que eles nem levaram a sério, acharam que era só uma ideia vaga. Mas depois quando o assunto ficou sério, meus pais ficaram preocupados, a mãe da Jack também.

Não tem como negar, é uma coisa que assusta, pois ainda não é comum e não é uma viagem que todas as pessoas estão dispostas a fazer. Mas no fim fomos mostrando todos os lados, explicamos que 100% dos países que iriamos viajar eram mais seguros que o Brasil, que íamos contratar um seguro viagem bom para não ter problema e que teríamos dinheiro para qualquer problema. No fim eles tiveram que aceitar… hehehe

Quanto tempo durou o planejamento pré viagem de vocês?

Nós começamos de fato a organizar a viagem em fevereiro de 2016, e partimos em fevereiro de 2018. Foram 2 anos de muito trabalho e economia pra chegar no objetivo que imaginamos de dinheiro.

Quando pretendem parar?

A princípio vamos até maio de 2019, se o dinheiro permitir. Ou um pouco mais se conseguirmos ser bem econômicos =)

Quais estão sendo os maiores aprendizados?

São muitos. Uma viagem de longo prazo e por diversos países, com diferentes culturas e pessoas só faz com que a pessoa fique mais humana, mais consciente com o próximo, veja de maneira mais clara as opiniões diferentes, aprendemos a respeitar mais as pessoas e diferenças e também aprendemos a dar mais valor ao lar, a importância da família. Estamos com 5 meses de viagem no momento, mas já crescemos muito como pessoa.

O que vocês consideram mais complicado na viagem?

Talvez a alimentação, porque apesar de estarmos viajando por países baratos nos últimos meses, estamos na Ásia, e a comida é muito diferente. É boa, porém bem longe do que estamos acostumados no dia a dia, por isso o nosso estômago sofre. E como os hotéis e hostels na Ásia na grande maioria não tem cozinha, fica praticamente impossível prepararmos “nossa” comida.

O que vocês fariam diferente se fossem começar a viajar agora?

Acho que viríamos apenas com 1 mochilão do mesmo tamanho e 2 mochilas de ataque um pouco maiores. Estamos com 2 mochilões de 70 litros e duas mochilas de ataque de 18 litros. Estamos com espaço demais! A gente nem precisa de tanto, então daria para fazer só com o mochilão de 70 litros e talvez 2 mochilas de ataque de 30 litros, que não fosse necessário despachar.

Como vocês lidam com as finanças? Vocês tem um orçamento diário?

Sim, nós temos um orçamento diário pra cada país que vamos, temos 3 categorias de países, baratos, médios e caros. Os baratos ficam em máximo 45 dólares o dia, 60 e 90 respectivamente.

Tudo que gastamos, exatamente tudo, vai para um aplicativo, chamado Trip Coin e no fim de cada viagem, ele emite uma planilha em excel direto pro e-mail, o melhor de tudo, totalmente grátis.

O mundo é perigoso?

Nós somos brasileiros, então já somos mais ligados por natureza, então 99% das vezes nos preocupamos sem necessidade real, mas as vezes pode acontecer alguns problemas.

Único relato que temos para falar foi um furto dentro de uma especie de ônibus nas Filipinas, roubaram nossas caixas de óculos dentro da mochila, nós nem percebemos o furto! A sorte que nossos óculos estavam na cabeça e não pegaram mais nada.

Foi o único caso que vivenciamos aqui na Ásia. Os países que viajamos são muito seguros, da para andar tranquilamente na rua com celular, câmera e não importa o horário do dia. Assaltos a mão armada são quase impossíveis, mas claro que sempre é bom estar alerta e evitar muita exposição.

Vocês tem ideia do que farão ao voltar pro Brasil?

Nós não temos nenhuma certeza ainda, pois no fim da viagem, vamos ter ficado mais de 6 anos fora do país, porém pra quem dá uma volta ao mundo, se virar em casa é moleza 😉

Qual foi a melhor experiência de toda a viagem até agora e por que?

Acho que a viagem pra Myanmar foi bem marcante, o país foi aberto fazem poucos anos para o turismo em massa, então o povo ainda não tem a malícia que outros locais (tailandeses por exemplo) tem.

Tivemos trocas de experiências bem sinceras em Myanmar, sem as pessoas exigirem ou pedirem pra comprar algo ou pra ir em algum lugar, apenas pra conversar e entender mais de onde éramos e nos contar sobre o país deles.

E o maior perrengue?

Nos nossos 5 meses de viagem até agora, 2 foram especialmente ruins! O primeiro foi na China, onde reservamos um hotel por um site famoso, chegamos na cidade, fomos até o local (e era longe) e o hotel estava fechado, com correntes e apenas um telefone para contato. Tentamos ligar para o número ou entrar em contato com o site que reservamos e nada deu certo.

Até que chegou uma moça contando uma história que o hotel fechou para reformas e que ela trabalhava lá e a culpa era dela de não ter nos avisado a tempo. O problema é que estávamos na China, então a comunicação é MUITO difícil e até entendermos isso e irmos até o novo hotel que eles estavam alocando os hóspedes, se passaram algumas horas.

Já no outro hostel que eles realocando as pessoas, não havia ninguém e a localização era bem pior, então no fim decidimos pegar outro hostel pela internet e la fomos novamente pro outro lado da cidade… perdemos a tarde inteira nessa função e deixamos alguns dólares para trás também.

O segundo dia foi disparado o meu pior na viagem, foi na Filipinas, tínhamos viajado de balsa de Oslob para Bohol e não tínhamos nenhuma reserva, como de costume estávamos indo nos hotéis e pedindo desconto, pois normalmente ficávamos bastante tempo em cada cidade, porém esse dia chegamos no hotel que havíamos visto horas antes e ele havia ficado cheio, de última hora.

Tentamos alguns outros hotéis perto da região que estávamos, mas não deu certo, todos lotados. Tivemos que pagar um táxi e ir para outro local bem mais afastado que achamos pela internet. Resumo da ópera, chegamos lá já era noite e eu tive a ideia de alugar uma scooter pois o hotel era mais afastado, e assim poderíamos ir ao centro para comer e passear.

O problema é que eu não sei dirigir moto e ainda sou traumatizado pois tive um acidente quando pequeno. Mas no fim, aluguei a moto, dei uma volta, tudo certo… quando fui voltar a rua escura e cheia de buracos para pegar a Jack, acelerei demais a moto, desequilibrei em um dos buracos e pronto, cai com moto e tudo numa velocidade considerável. A Jack me socorreu, machuquei muito a mão, perna, braço e ombro, sorte que estava de capacete e felizmente não quebrei nada.

Viajar é caro?

Viajar pode ser muito caro ou bem barato, só vai depender de ti. Tudo vai variar conforme o conforto que quiser ter, o que estiver disposto a comer, como vai se locomover,  e tudo uma questão de escolhas, quem quer de verdade, viaja barato.

Vocês viajam em ritmo acelerado, quando mais países melhor ou são do estilo slow travel, curtindo aos pouquinhos?

Estamos dando uma volta ao mundo de 14, 15 meses, a gente não pode viajar em ritmo de férias. Não é a mesma coisa uma viagem a longo prazo do que uma viagem de 20 dias, é impossível viajar mais de 1 ano querendo conhecer lugares e passear todos os dias, existem momentos que tudo que queremos é relaxar e ficar sem fazer nada.

Já tivemos que fazer alguns países em ritmo acelerado, pois eram caros, por exemplo a Nova Zelândia passamos apenas 12 dias por lá, parece que 12 dias é o suficiente, mas o país é grande e lindo, tem muitas coisas para fazer, então acaba sendo corrido.

Mas na maioria dos países viajamos com tempo, planejando no dia a dia, sempre temos uma ideia do que vamos fazer, mas não deixamos nosso roteiro muito preso, porque caso agente goste muito de um lugar, temos a opção de ficar 2 ou 3 dias a mais.

Como é um dia “rotineiro” na vida de viajante atual…acordam e já saem explorar ou ?

Como escrevi na resposta anterior, tem dias que tudo que queremos fazer é ficar tranquilos no hotel, ver um filme, relaxar, porque acreditem ou não, viajar é algo cansativo, então normalmente nós balanceamos, 2 dias ou 3 dias com atividades ai 1 ou 2 dias ficamos só curtindo, planejando, vivendo o lugar de fato.

Quando achamos um restaurante bom e barato, também gostamos de repetir, pois as vezes é ruim não ter certeza o que pedir ou saber se a comida vai ser boa, então é bom já ir em algum lugar “conhecido”.

O que levou vocês a viajarem pelo mundo?

Esse era meu sonho de infância, sempre tive curiosidade por outras culturas, línguas, lugares, comidas e principalmente histórias.

A Jack foi destino, ela sempre teve vontade de morar fora, fazer um intercâmbio e aprender inglês, e isso foi o que ela fez em 2013. O que ela não imaginava é que os 4 meses se tornariam mais de 4 anos. Nós nos conhecemos em Sydney em Agosto de 2013, quando fomos morar na mesma casa e depois de alguns meses ficamos amigos e mais alguns meses viramos namorados.

Quando estávamos tomando a decisão de voltar para o Brasil, após quase 3 anos vivendo na Austrália, eu sugeri a viagem pra ela, e ela topou! Ai que começou o planejamento para a volta ao mundo.

Vocês saíram com o tudo planejado: roteiro, dias em casa país, etc. ou estão decidindo aos poucos durante a viagem?

Nós estávamos morando na Austrália e alguns países eram mais complicados de conseguir o visto, no caso a China. Então para a China precisávamos aplicar o visto ainda de Sydney (pois era nossa residência) e ter um voo de saída do país, no nosso caso compramos para Filipinas.

Então a China, fez com que tivéssemos algumas datas fixas no início da viagem. Para ir e voltar da Nova Zelândia, e data para entrar e sair da própria China, bem como data para entrar nas Filipinas. Como ja tínhamos toda essa parte planejada, já decidimos tirar o visto do Vietnã ainda na Austrália e colocar o mesmo como nosso próximo destino após as Filipinas, ai depois disso não precisaríamos nos preocupar com visto por um bom tempo.

Resumindo, saímos com 2 meses de viagem planejado, a China eu realmente planejei muito bem, pois o país é gigante e não é fácil de se comunicar. Mas após chegar no Vietnã fomos indo sem planos, e assim ficou mais fácil. Sempre temos uma ideia dos próximos destinos, mas não é nada fixo.

Por exemplo, o objetivo era entrar na Grécia em agosto, pois achei uma passagem muito barata, mas como a acomodação lá não compensa nessa época de alta temporada, decidimos passar em Dubai por alguns dias onde tenho um amigo morando e depois ficar 20 dias na Turquia até os preços da Grécia ficarem mais acessíveis.

O que vocês diriam para quem tem vontade de viajar pelo mundo?

Vale a pena, não tem experiência igual, é algo transformador, e olha que ja havíamos feito algumas viagens antes, mas isso é totalmente diferente.

Outra coisa que eu diria é foco, no começo parece algo impossível, mas ai tem que focar no objetivo, ir pesquisando sobre os lugares, o clima, a cada 2 ou 3 meses comprar algo pra viagem, um moletom de frio, uma mochila, um tênis impermeável, ir se equipando e tornando a viagem mais palpável, entrar no espírito da viagem e acreditar que vai dar certo. No fim a recompensa é linda!

 

Lucas é de Porto Alegre, tem 30 anos. Sempre foi fissurado por viagens e aos 19 anos (2008) teve sua primeira experiência no exterior, quando fui morar na Itália por 10 meses para tirar a cidadania italiana. Depois realizou um intercâmbio de 1 ano na Austrália, em 2010, para aprender inglês. Quando se formou em Adm na Espm de Porto Alegre, decidiu voltar a Austrália. Largou o emprego numa editora de guias de viagem e lá morou mais 5 anos até começar a nossa volta ao mundo.

A Jack, é de São Paulo, tem 30 anos e também é formada em Administração. Trabalhou os últimos 5 anos no Banco Bradesco antes de ir fazer um intercambio na Austrália em 2013. O intercâmbio era pra ser só de 4 meses, mas ela acabou morando lá até o começo de 2018, quando iniciou a viagem.

 

Acompanhe a viagem do casal pelas redes sociais: Instagram:@viviajando ou Facebook: viviajando1

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1 Comentário

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