Cainã, há dois anos cruzando o continente africano

Os relatos do Cainã são fortes e profundos. Sua jornada pela Africa começou de forma inesperada e é nada convencional. Sua viagem incluí experiências pouco comuns para um viajante: plantação e exportação de maconha, travessias ilegais e convivência com tribos africanas.

Conheça mais da longa viagem que o Cainã esta realizado nos dois últimos anos. Da cidade do Cabo, ao sul do continente africano, até o Marrocos, ao norte, uma travessia de aventuras, contrastes, coragem, desafios e sem dúvidas, muito aprendizado.

Seria apenas um intercâmbio na África do Sul com retorno marcado, porém o universo me mostrou, de maneira imprevisível, que minha  jornada só estava começando”, conta ele sobre como começou sua trajetória de desbravamento do solo africano.

COMO SE MANTÉM NA ESTRADA

Distante do turismo tradicional, Cainã usa a troca de trabalho por hospedagem e alimentação para se manter viajando por longo prazo e principalmente para poder interagir e vivenciar a vida local, longe do turismo em massa. “Uma travessia não planejada onde trabalho em troca de comida e hospedagem  pelas terras africanas fizeram eu me redescobrir e compreender o verdadeiro significado de respeitar”, acrescenta.

Dessa forma, além do valor incalculável de aprender e ter a oportunidade de estar junto as comunidades africanas, seus custos de viagem são extremamente baixos. Ele começou com uma trabalho sendo guia de caminhadas na escola onde estudou inglês na Cidade do Cabo e hoje realiza diferentes atividades em cada local que passa. Manutenção geral, trabalhos típicos da vida em fazenda,  ajuda em vilas e tribos. Já trabalhou também em uma escola para crianças especiais.

Em um dos seus trabalhos ele teve a chande de aprender – na prática – sobre o cultivo e exportação da maconha. Cainã ajudava inicialmente na construção de uma casa, mas logo Ele conta mais como foi essa experiência:

“Eu estava no Malawi, com uma família rastafari. O host é artista e faz jogos de tabuleiros em madeira, que são exportados para Holanda. E através dele eu tive a chance de conhecer e trabalhar em uma plantação de maconha. Ele me ensinou o esquema de colocar a planta, com pó de café para o cachorro não identificar, a espessura da madeira para não ser pego no rx. Não posso dar mais detalhes, além de dizer que tive a oportunidade de conhecer todo o processo”, conta ele.

DESAFIOS

Viajar pela África, é sem dúvidas desafiador e atende ao perfil de poucos viajantes. Viajando sem conforto ou facilidades, Cainã já passou pelo Zimbabue, Zâmbia. Malawi, Moçambique, Tanzânia, Ruanda, Uganda e Etiópia, onde está no momento. Os próximos destinos serão o Sudão, Egito, Marrocos, de onde planeja concluir sua viagem no continente.

Apesar de ter tido todos os seus equipamentos de fotografia e gravação furtados enquanto passava pela Uganda, isso não tira dele a sensação de segurança ao cruzar ao continente. “Não nego que todo pais tem seus problemas, a questão é que tendemos a enxergar o desastre, miséria e suas derivadas, principalmente pelo que a mídia transmite.

Eu poderia sim relatar este tipo de coisa, mas qual seria o sentido? Quero mostrar a África que eu jamais cogitava estando no Brasil. A África que te acolhe quando você se permite ser acolhido. Se nós somos conhecidos como povo acolhedor é porque não conhecemos os africanos. Exemplos natos de prestativos, que compartilham quando se nada têm”.

APRENDIZADOS

E essa convivência tão próxima de outras realidades e culturas, os contrastes nas maneiras de viver e de ver o mundo são o combustível de seus aprendizados:

“Antes aterrisar neste continente muita concepção e estereótipos fabricados se faziam totalmente diferente do que são agora. Se naquela época me perguntassem quais às imagens ou palavras que vem de imediato a minha cabeça sobre aqui, não menos seria: deserto, miséria, seca, incolor, e derivados do mesmo. Este pensamento é automático.

Mas hoje se fizerem da mesma pergunta, ahh como morar e estar aqui nos muda por completo. Agora as palavras e significados de África são outros: muito colorido, sorrisos brancos, pessoas por demais prestativas, águas, rios, lagos e cachoeiras como nunca imaginaria”.

Quanto perguntei as razões que o fazem viajar, ele responde:

“É uma conquista pessoal, um desafio, um enfrentamento”. E apesar da enorme jornada, Cainã afirma que: “O importante não é a distância percorrida e sim a transformação no caminho.”

As incertezas estão presentes a todo instante mas ele lida bem com isso. “A incerteza faz parte. A onde existe medo, existe aprendizados”, afirma ele que tem previsão para chegar no Marrocos somente em 2019. Cainã fará uma pausa e retorno ao Brasil mas já adianta que será “uma pausa antes de retomar a viagem”.

PROJETO PESSOAL

Cainã criou o Norteando ao Sul. O nome do site é uma metáfora a que se refere rumar  ao sentido oposto do que é nos dito como caminho certeiro. A bússola sempre ira conduzi-lo ao norte, mas talvez o caminho seja nortear ao sul. Se perder para se encontrar. Pois foi esta rota de incertezas que obtive as transformação internas e como consequência a harmonia entre mente e corpo.

“Quero compartilhar experiências humanas, sem guias ou rotas, e sim inspirar as pessoas  fazerem o seu próprio roteiro. Pois de dicas e conselhos já existe aos montes. Motivá-lo a ser o desbravador das suas próprias jornadas e depois relatar o que se passou por trás de cada foto é meu propósito”.

A idéia do Norteando ao Sul surgiu quando eu questionava o porque de seguir inconsciente um ideal de vida já projetado pela massa, de maneira quase que inconsciente. E foi devido a esta jornada em solo africano que pude repensar sobre muitos aspectos da minha existência, em que através de vastas situações me puseram em cheque valores onde a emoção predominava, escreveu ele em sua página.

Uma viajem sem roteiro são rotas de incertezas para o auto-descobrimento” 

Conheça mais e acompanhe o Cainã pelo Instagram: Cainã Ito

 

Cainã é jornalista, com formação técnica em radialismo e artes cênicas, nascido no interior do Vale do Paraíba da cidade de Taubaté.

 

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